A GUERRA E A LISTA OFICIAL DOS 10 MELHORES FILMES DO GÊNERO PELA ACC
“A morte de qualquer pessoa me diminui, porque sou parte da humanidade. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram…eles dobram por ti!” (Ernest Hemingway, do poema de John Donne).
Os espectros da primeira guerra mundial pairavam sobre aquele campo. No meio da fumaça e dos escombros, surge uma borboleta e de repente uma mão tenta alcançá-la…o jovem se estica mais do que deveria, e acaba sendo abatido segundos antes da declaração do armistício…. um finai simbólico e inesquecível, para um filme único e eterno: “Sem Novidades no Front” (1930), vencedor do Oscar de melhor filme do ano, e proibido durante muitos anos na Alemanha. Enquanto a primeira guerra mundial envolvia inicialmente Alemanha, França, Inglaterra, Rússia, Itália, Áustria, o cinema americano afirmava-se definitivamente. Os filmes estrangeiros desapareceram das quinze mil salas de projeção dos EUA, e as produções americanas dominavam 90% do total de programações do resto do mundo.
Os conflitos armados sempre foram tema de obras cinematográficas. Os grandes diretores de Cinema, apresentaram suas versões de cada um deles.
Sobre as guerras napoleônicas (1799-1815), temos o clássico absoluto do francês Abel Gance, “Napoleão (1927), e outros como ‘Guerra e Paz” (versões de 1956 e 1967), “Waterloo” (1970), e um incrível filme de Ridley Scott, chamado “Os Duelistas” (1977).
Sobre a guerra de secessão americana (1861-1865), houve maravilhas cinematográficas, como a que David W. Griffith, o pai da linguagem cinematográfica, apresentou com o monumental e polêmico, “O Nascimento de uma Nação”(1916). O extraordinário Buster Keaton, fez sua obra máxima “A General” (1927). O filme mais celebrado de todos os tempos, “E O Vento Levou” (1939), retrata de forma magnífica este confronto. Assim como “A Glória de Um Covarde” (1951), de John Huston, com Audie Murphy em seu melhor papel no Cinema. “Marcha de Heróis” (1959), do gigante John Ford, trazia um duelo de titãs entre dois dos maiores astros cinematográficos da época, John Wayne e William Holden! E para fechar, temos os fabulosos Denzel Washington e Morgan Freeman protagonizando “Tempo de Glória” (1989).
Charles Chaplin satirizava a 1ª Guerra Mundial no genial “Ombro Armas!”(1918). Outros filmes notáveis sobre a primeira guerra mundial marcaram época: “O Grande Desfile” (1925), “Asas”(1927), ”Guerra, Flagelo de Deus “( 1930), obra-prima do alemão G.W.Pabst; “A Patrulha Perdida (1934), “A Grande ilusão (1937), “Sargento York” (1941), “Crepúsculo Das Águias” (1966); no extraordinário ” Johnny Vai à Guerra” (1971) o personagem central perde os braços, as pernas, os olhos, o nariz, a boca e os ouvidos numa explosão… como vai provar ao mundo que está vivo???
Na época do segundo conflito mundial, os filmes de guerra foram produzidos aceleradamente, com Chaplin, mais uma vez, inaugurando o filão, com sua demolidora sátira ao nazismo, “O Grande Ditador”(1940)’. Nesta época, os atores se alistavam, ou vendiam bônus de guerra, alguns falecendo tragicamente em acidentes aéreos: Carole Lombard, Leslie Howard… Dos que se alistaram, alguns chegaram a altos postos militares: Clark Gable realizou várias missões na Alemanha, chegou a ter sua cabeça a prêmio por Adolf Hitler, e tornou-se major; James Stewart, que abateu aviões inimigos, tornou-se generai-brigadeiro. Dos diretores exponenciais, John Ford tornou-se comandante, Frank Capra, coronel e William Wyler, tenente-coronel. Alguns astros, só fariam carreira depois: Audie Murphy (até hoje é o mais condecorado militar americano, tornando-se herói da 2ª guerra, com 24 medalhas), Lee Marvin sofreu um ferimento na coluna que o deixou hospitalizado durante 13 meses. Jack Palance teve o rosto totalmente deformado por queimaduras, tendo-o reconstituído por inteiro, depois. Alguns grandes mestres vindos da Europa, fugindo da sanha nazista, empenhavam-se em realizar obras-primas, como o inglês Alfred Hitchcock em “Correspondente Estrangeiro”(1940), “O Sabotador”(1942), “Um Barco e Nove Destinos” (1944); o austríaco Fritz Lang faria “Os Carrascos Também Morrem”(1943), “O Grande Segredo”(1946)… Houve grandes clássicos como “Um Punhado de Bravos”(1945) com Errol Flynn, “Também Somos Seres Humanos”(1945) com Robert Mitchum, “Um Passeio ao Sol” (1945) com Dana Andrews, “Nossos Mortos Serão Vingados”(1942) com Brian Donlevy, “A Rosa da Esperança”(1942) com Greer Garson, “Os Melhores Anos de Nossas Vidas” (1946), com Fredric March, “Areias de Iwo Jima” (1949) com John Wayne, ensinando como assar japoneses… ; ” Inferno 17”( 1953), de Billy Wilder, com William Holden, “ A Um Passo da Eternidade ( 1953) , de Fred Zinnemann, com Burt Lancaster, Montgomery Clift e Frank Sinatra; Morte Sem Glória” (1956) com Lee Marvin e Jack Palance (a 1ª grande patada no exército americano); e A Ponte do Rio Kwai (1957), de David Lean, com Alec Guiness, William Holden e Sessue Hayakawa; Destaque também para o fabuloso “Círculo de Fogo”(2001), retratando com exatidão um impressionante fato real ocorrido durante a batalha de Stalingrado. Outra obra extraordinária, é “Cartas de Iwo Jima” (2006), um dos maiores filmes do século XXI, dirigido por Clint Eastwood. Notáveis ainda foram “A Raposa do Mar” (1957) com Curd Jurgens (rara ocasião em que os alemães não aparecem como caricaturas) e “A Cruz De Ferro” (1977), obra-prima do mestre Sam Peckinpah, com James Coburn e James Mason. Este clássico contém uma sequência perturbadora, que é a do estupro na aldeia russa e castração do militar, até hoje uma das mais chocantes dos filmes de guerra. Destaque ainda para célebres fiimes anti-guerra, como: “Quando Voam as Cegonhas” (1957), “A Balada Do Soldado” (1959) e “Inferno no Pacífico” (1969) com Toshiro Mifune e Lee Marvin ( cuja amizade não resiste ao ódio da guerra)…
Anos depois, o pesadelo começava novamente com a guerra no Vietnã e o cinema retratava o conflito em filmes, como “O Franco Atirador” (1978), “Apocalypse Now” (1979), ”Platoon” ( 1986), “Nascido Para Matar ( 1987), dentre outros…
Depois vieram outras guerras insanas, em todas as partes do mundo, com representação cinematográfica. Segue abaixo a consideração crítica da Academia Cearense de Cinema.
LISTA OFICIAL DA ACC DOS 10 MAIORES FILMES DE GUERRA DA HISTÓRIA DO CINEMA
A Academia Cearense de Cinema promoveu uma enquete perguntando a 20 grandes especialistas no gênero de filmes de guerra, no cinema mundial: quais são os 10 maiores filmes de guerra de todos os tempos?
Votaram membros da academia e outros reconhecidos experts no tema, e o resultado final, sempre envolto em grande expectativa, tem aqui a divulgação oficial da ACC.
Após envio e compilação das listas por estes especialistas em história dos filmes de guerra, destaca-se a supremacia de APOCALYPSE NOW( 1979) e O RESGATE DO SOLDADO RYAN( 1998) , ambos citados em 14 listas! Seguidos por GLÓRIA FEITA DE SANGUE( 1957) e A PONTE DO RIO KWAI ( 1957) citados em 12 relações!
O critério de classificação para a lista definitiva, foi a compilação da ordem classificatória atribuída a cada filme, pelos 20 especialistas ouvidos pela Academia Cearense de Cinema.
OS 10 MAIORES FILMES DE GUERRA DE TODOS OS TEMPOS PELA ACC
1. APOCALYPSE NOW (Apocalypse Now, 1979) – D. Francis Ford Coppola. Com Marlon Brando, Martin Sheen, Robert Duvall, Harrison Ford.
O maior filme de guerra de todos os tempos, é um mergulho literal na insanidade da guerra, independente de qual seja. Durante a guerra do Vietnã, Martin Sheen é um capitão das forças armadas americanas que tem a missão de encontrar e matar o coronel Kurtz, que enlouqueceu e armou um exército de assassinos nas selvas do Cambodja. O filme é extraordinário sob todos os aspectos técnicos, políticos e psicológicos, inclusive na expectativa para a aparição do coronel, após mais de uma hora de filme, papel que apenas um ator da envergadura de Marlon Brando poderia ter feito!!
A grande sequência: O brutal bombardeio americano na aldeia vietnamita, sob o som de ‘CAVALGADA DAS VALQUÍRIAS, de Richard Wagner. Absolutamente inesquecível!!
2. O RESGATE DO SOLDADO RYAN (Saving Private Ryan, 1998) – D. Steven Spielberg. Com Tom Hanks, Matt Damon, Tom Sizemore.
Oito militares americanos tem a missão de resgatar, após o dia D, o soldado James Ryan, quarto e último filho da senhora Ryan, que havia recebido os telegramas sobre as mortes dos seus três outros filhos! Baseado em fatos reais, o filme é impressionante sob todos os aspectos, de forma e conteúdo, constituindo-se como obra-prima, com roteiro preciso e interpretações sensacionais do elenco.
A grande sequência: A inigualável cena da invasão às praias da Normandia, pelos aliados, no dia D. Com realismo excepcional e apuro técnico nunca antes visto, é uma das cenas mais poderosas da história do cinema.
3. GLÓRIA FEITA DE SANGUE (Paths Of Glory, 1957) – D. Stanley Kubrick. Com Kirk Douglas, Adolphe Menjou, Ralph Meeker, George MacReady.
O mais lúcido e impactante filme anti-guerra já feito! Kubrick mostra todo o tabuleiro de interesses e suas peças corrompidas, o desprezo pela vida, o cinismo dos gabinetes de alto escalão e a loucura generalizada. Conta a revoltante história do fuzilamento injusto, e por sorteio, de três soldados franceses, na primeira guerra mundial, para servirem como exemplo pela resistência no cumprimento de uma ordem suicida vinda da alta patente, senhores da guerra mais interessados em seus cargos e interesses financeiros. Para Kubrick: “Esta situação poderia ter se passado em qualquer exército do mundo”. O filme, de tão influente e poderoso, foi proibido em vários países e só foi liberado para exibição na frança, quase 20 anos depois!!
A grande sequência: O fuzilamento, com um soldado agonizante sendo levado numa maca para a execução.
4. A LISTA DE SCHINDLER (Schindler’s List, 1993) – D. Steven Spielberg. Com Liam Neeson, Ralph Fiennes, Ben Kingsley.
O empresário alemão Oskar Schindler salva mais de 1.100 judeus, dos campos de concentração nazistas na segunda guerra mundial, inicialmente por oportunismo e depois por convicção e com muita coragem! Spielberg levou mais de dez anos para preparar todos os detalhes do filme e contar esta história. Filmado em preto e branco ( buscando fidelidade em relação a grande parte das fotos e imagens preservadas no período), e com 40% de sua filmagem realizada por câmeras manuais, na intenção, segundo o diretor, “de ser o mais próximo da realidade que pude”.
A grande sequência: A despedida de Schindler dos judeus na fábrica. Todo o clima desta cena, as performances, os diálogos, a trilha sonora, o enquadramento da câmera, tudo é absolutamente emocionante! Neste momento, ecoam em nossa mente, as palavras de Itzhak Stern, personagem de Kingsley : “Esta lista… é um bem absoluto. A lista é vida!”
5. A PONTE DO RIO KWAI (The Bridge On The River Kwai, 1957) – D. David Lean. Com Alec Guiness, William Holden, Sessue Hayakawa, Jack Hawkins.
Na Malásia, um coronel inglês e seus homens aprisionados, cumprindo ordens de um comandante japonês, controem uma ponte, que os americanos tencionam explodir. Uma obra grandiosa, como é peculiar ao cinema do extraordinário David Lean, que com imagens inesquecíveis, elenco brilhante e música marcante (a famosa ‘ Colonel Bogey March’ virou referência mundial, até hoje ouvida em redes sociais e propagandas), perpetuam o impacto gigantesco deste clássico.
A grande sequência: A grande explosão final provocada por Alec Guiness, em um tour de force realmente sensacional, ficou marcada na memória de todos!
6. NASCIDO PARA MATAR (Full Metal Jacket, 1987) – D. Stanley Kubrick. Com Matthew Modine, Adam Baldwin, Vincent D’Onofrio, R. Lee Ermey.
A guerra do Vietnã, mostrada em duas partes absolutamente brilhantes: a brutal e horripilante preparação dos soldados americanos e o combate sanguinário, durante a ofensiva do Tet, no Vietnã, nos anos 1960.
A grande sequência: A caçada magnífica e surpreendente, no final do filme, ao franco-atirador vietnamita, é uma das cenas que irão perdurar para sempre nas mentes e retinas dos cinéfilos !!
7. A UM PASSO DA ETERNIDADE (From Here To Eternity, 1953) – D. Fred Zinnemann. Com Burt Lancaster, Montgomery Clift, Frank Sinatra, Deborah Kerr.
Dramas e conflitos ocorrem na base militar americana de Pearl Harbor, às vésperas do infame ataque japonês, em 1941, que deflagaria a entrada dos EUA na segunda guerra mundial. Com atuações sensacionais do trio de astros (Clift, Lancaster, Sinatra) e uma participação surpreendente do grande Ernest Borgnine, o filme traz um dos mais sensacionais elencos já reunidos em Hollywood!
A grande sequência: O icônico beijo proibido e infiel, entre Burt Lancaster e Deborah Kerr, deitados na areia, em praia deserta, em meio às ondas, é o máximo de estilo e sensualidade, se tornando uma das cenas mais famosas da história do cinema americano !!
8. PLATOON (Platoon, 1986) – D. Oliver Stone. Com William Dafoe, Tom Berenger, Charlie Sheen, Forest Whitaker, Johnny Depp.
Jovem idealista se alista para servir no exército americano, durante a guerra do Vietnã, e se depara com a realidade nua e crua do conflito, com a violência extrema, desconforto absoluto e principalmente com as diferentes ações, visões e valores externados nas próprias forças armadas americanas!
A grande sequência : O assassinato de Elias por Barnes, a derrocada do bem frente o mal, numa cena plasticamente notável e significativa, com sua queda de braços abertos, representando uma nova crucificação!
9. BASTARDOS INGLÓRIOS (Inglourius Bastards, 2009) – D. Quentin Tarantino. Com Brad Pitt, Christopher Waltz, Melanie Laurent, Michael Fassbinder.
Quentin Tarantino e sua versão surreal, fascinante e sedutora da ocupação nazista na França, durante a segunda guerra mundial. Um filme brilhante, com todos os componentes surpreendentes, característicos e criativos, que o fazem um cineasta inexcedível em originalidade. Violência extrema, grandes interpretações, roteiro e direção perfeitas.
A grande sequência: A visita do coronel nazista à família francesa que escondia judeus em sua fazenda. Visualmente brilhante, envolvente e assustadoramente tensa! Um primor!!!
10. A BATALHA DE ARGEL (La Bataglia Di Algeri, 1966) – D. Gillo Pontecorvo. Com Brahim Hadjadj, Jean Martin, Yacef Saadi.
O maior filme político de todos os tempos, mostra em estilo semi-documental, a luta do povo da Argélia pela independência do governo francês. Foi lançado quatro anos depois da independência argelina, e foi proibido em muitos países, inclusive no Brasil. O Pentágono, em 2003, com a invasão do Iraque, exibia o filme para oficiais, sob o tema; “Como vencer a a batalha contra o terrorismo e perder a guerra ideológica”. Para a crítica americana Pauline Kael, “como filme de propaganda, está no nível de “Triunfo da Vontade”( 1935), e “Olympia”(1936), e é o grande sucesso revolucionário dos tempos modernos. Tem o fervor de um agitador;arrebata-nos e não nos dá tempo de pensar. Pode-se até aceitar a mensagem implícita do filme de que os métodos violentos da FLN são o único caminho da liberdade. A inflamatória paixão de Pontecorvo age direto sobre nossos sentimentos”.
A grande sequência: O final impactante com a bandeira feita por panos e trapos, celebrando, enfim, a vitória popular.
Abaixo, segue a relação dos mais votados do 11º ao 20º:
11. LAWRENCE DA ARÁBIA (Lawrence Of The Arabia,1962). D. David Lean. Com Peter O’Toole, Anthony Quinn, Alec Guiness, Omar Shariff.
12. ALÉM DA LINHA VERMELHA (The Thin Red Line, 1998). D. Terrence Malick. Com Jim Caviezel, Sean Penn, Nick Nolte, George Clooney.
13. O PIANISTA (The Pianist, 2002). D. Roman Polanski. Com Adrien Brody, Emilia Fox
14. FUGINDO DO INFERNO (The Great Escape, 1963). D. John Sturges. Com Steve McQueen, Charles Bronson, James Coburn, James Garner.
15. E O VENTO LEVOU (Gone With The Wind, 1939). D. Victor Fleming. Com Clark Gable, Vivien Leigh, Olivia de Havilland, Leslie Howard.
16. CARTAS DE IWO JIMA (Letters From Iwo Jima, 2006). D. Clint Eastwood. Com Ken Watanabe
17. O MAIS LONGO DOS DIAS (The Longest day, 1962). D. Ken Annakin. Com John Wayne, Robert Ryan, Richard Burton, Henry Fonda.
18. O FRANCO ATIRADOR (The Deer Hunter, 1978). D. Michael Cimino. Com Robert De Niro, Meryl Streep, Christopher Walken, John Cazale.
19. MORTE SEM GLÓRIA (Attack, 1956). D. Robert Aldrich. Com Jack Palance, Lee Marvin, Eddie Albert,
20. A QUEDA – OS ÚLTIMOS DIAS DE HITLER (Der Untergang, 2004). D. Oliver Hirschbiegel , Com Bruno Ganz.





